Quando vender passa a silenciar o propósito
O que é marketing?
Ou melhor: o que o marketing se tornou?
E, afinal, qual é a diferença entre marketing e comunicação?
Sou CEO de uma empresa de TI e comunicação e, nos últimos anos, tenho me perguntado não apenas o que mudou, mas também o que perdemos pelo caminho.
Não estou falando dos avanços dos softwares e das tecnologias. Se fosse apenas isso, teríamos uma vasta lista para pontuar.
Estou falando do sentimento que movia o ser humano em torno de um propósito que não era somente ganhar dinheiro.
Talvez o marketing tenha se tornado, para muitos, sinônimo de vender a qualquer custo. E a comunicação, apenas uma vitrine. Mas acredito que ambos deveriam partir do mesmo lugar: a verdade de um propósito.
Quando o propósito deixa de conduzir
Lembro-me de um cliente que chegou até nós apaixonado pelo que fazia. Ele acreditava profundamente em seu propósito. Nós nos envolvemos em seu projeto e nos tornamos parte dele.
É assim que acredito que uma empresa de comunicação deve trabalhar. E é assim que procuramos construir na empresa da qual sou CEO hoje.
Três anos depois, uma grande empresa de marketing apresentou a esse cliente uma proposta que prometia fazê-lo ganhar muito dinheiro. Ele agradeceu pelo nosso trabalho e nos disse que aquela oportunidade era grande demais para ser deixada de lado.
Desejamos sucesso.
Continuamos acompanhando sua caminhada e, cerca de um ano depois, percebemos que o brilho e a paixão que o moviam haviam desaparecido.
Ele ganhou algum dinheiro, mas, aos poucos, deixou de expressar suas emoções, suas vontades e aquilo em que verdadeiramente acreditava.
O momento em que o sonho se perdeu
Nós nos encontramos novamente quatro anos depois e conversamos sobre isso.
|
Respondi:
|
Quando o marketing substitui a essência
Você já parou para pensar em quantas pessoas reconhecidas por seu sucesso, como Oprah Winfrey, Steve Jobs e tantos outros, também ouviram que suas ideias não dariam certo?
E, ainda assim, não abandonaram aquilo em que acreditavam.
Quantas pessoas tentaram dizer a elas o que deveriam fazer? Quantas vezes devem ter ouvido que suas ideias não eram viáveis, comerciais ou “vendáveis”?
O que sustentou essas pessoas não foi apenas a possibilidade de ganhar dinheiro. Foi a paixão pelo que acreditavam e a coragem de permanecer fiéis ao próprio propósito.
Gosto muito de assistir aos filmes de Natal. Em muitos deles, encontramos empresas de comunicação e marketing construindo campanhas, apresentando histórias e criando autoridade para seus clientes.
Mas esses filmes também nos lembram de algo importante: por trás de cada resultado, existe uma trajetória. Existe uma trilha. Existe equipes. Existe uma história que precisa ser respeitada.
Infelizmente, em nosso Brasil, parece que nos perdemos na busca pelo “viralizar” e pela promessa de ganhar muito dinheiro.
Com isso, temos visto muitas pessoas adoecerem emocionalmente enquanto perseguem um modelo de sucesso que não lhes pertence. Um sucesso construído a partir da vida, da imagem e dos resultados do outro.
Também vemos, cada vez mais, profissionais da área prometendo vendas quando a empresa sequer possui uma equipe comercial preparada para atender, conduzir e converter essas oportunidades.
São tantas promessas de riqueza, crescimento imediato e resultados extraordinários que, às vezes, eu me pergunto:
Será esse o fim?
Ainda vale a pena continuar nessa área?
Riqueza não é apenas dinheiro
O conceito de riqueza vai muito além de possuir dinheiro.
Ter muito dinheiro é muito bom. Não há problema algum nisso.
Mas, quando ele não vem acompanhado do prazer da conquista diária, da alegria de construir algo verdadeiro e da satisfação de ver o próprio propósito se materializando, talvez não possamos chamá-lo de riqueza.
Por aqui, sigo acreditando
Acredito que, um dia, teremos uma comunicação e um marketing mais saudáveis. Um marketing que não silencie a essência de uma pessoa ou de uma empresa para torná-la artificialmente vendável.
Acredito em uma comunicação capaz de apresentar um propósito com verdade, estratégia e responsabilidade.
E acredito que as vendas podem surgir como consequência desse trabalho — não como resultado de uma promessa vazia, fantasiosas, mas porque o público reconheceu verdade, coerência e valor naquilo que você ou a sua empresa oferece.
|




